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Guto Jimenez

Guto Jimenez

UMA NOVA VISÃO: Longboard, mercado, skate old school e sem modinhas

A mudança

26.05.2010

comentários 1 comentário

Meu Quiver em 2009 - com skates de 1975 a 2009 (crédito : Gjz)

Meu Quiver em 2009 - com skates de 1975 a 2009  (crédito: Gjz)

Mesmo sem que se perceba, o cenário de skate está no meio de um momento de virada. Vários fatos acontecendo quase que simultaneamente trazem a certeza de que, mais uma vez, o skate está passando por mais um processo de reformatação como vários outros que já rolaram antes. A história do carrinho é pródiga nessas "mortes e ressurreições", e o mais positivo é que não temos a menor possibilidade de rolar outra "morte do skate", como nas viradas das décadas de 80 e 90.

Não vai "morrer", mas vai mudar - e pode acreditar: nada será como antes.

O skate é um estilo de vida consolidado - e, pra muitos, um esporte que permite uma carreira profissional. Mas não deixou de ter uma característica fundamental, que é de evoluir constantemente. Basta olhar os fatos e enxergar os sinais, que são evidentes e bastante significativos.

Veja só o que rolou de mais significativo nos últimos anos:

- Maloof Money Cup: esse evento milionário pagou de cara a astronômica premiação de US$ 450.000 aos competidores, muito mais do que alguns xgaymes juntos. Provou ao mundo que o skate não precisa de bikes, patins, motos ou seja lá o que for pra atrair a atenção do mundo, e evidenciou que as outras atividades estavam a reboque do skate nesses eventos tipo "olimpíadas de esportes de ação". Não é à toa que o principal evento desse tipo cada vez mais adota esportes a motor, numa maneira de continuar a cativar a audiência do público telespectador.

- O fim da Slap: a Slap encerrou as suas atividades como mídia impressa e passou a exclusivamente publicar online - algo que a própria PENSE SKATE já havia feito antes, aliás... Enfim, a revista comandada pelo Lance Dawes sempre se caracterizou por ser um veículo quase que exclusivamente de street, mas sentiu a retração comercial da modalidade como nenhuma outra. Ao invés de tentar enganar os outros, transmitindo uma pretensa "legitimidade" em modalidades que não abordava, os caras preferiram publicar apenas online e, hoje em dia, tem um dos melhores fóruns de debates sobre o skate no mundo todo.

- Longboards: em meados de 2008, a Billabong comprou a marca Sector 9 de seus fundadores originais, investiu em produtos, marketing e incluiu na sua distribuição global. O mercado de longboard sempre foi especial por atrair praticantes de ambos os sexos e várias idades, e um gigante ter enxergado isso nada mais foi do que a consolidação dessa característica. Agora adivinhe qual foi a marca gringa que mais vendeu em 2009, em volume de dólares, de acordo com a TWBusiness?! Isso mesmo - a Sector 9. Algo óbvio, devido ao maior valor agregado em produtos pra modalidades de ladeira.

- Skateshops X lojas de grandes redes: aproveitando-se de uma estatística que indicou que nada menos que 80% dos consumidores de tênis pra skate NÃO andavam de skate, algumas redes de lojas de artigos esportivos entraram de cabeça, corpo e membros no mercado. Nos EUA já são um problemão pras lojas de raiz, e aqui no Brasil já há algumas empresas do ramo bastante interessadas no nosso cenário - o 2o do mundo, diga-se de passagem. O pior é que alguns skatistas estão preferindo comprar nessas lojas de rede; quero ver na hora que forem pedir apoio, patrocínio e etc pra esses caras...

- Flip e Plan B se unem: uma supermegahiper marca foi formada nesse ano, com um dream team de verdade incluindo alguns dos pros mais representativos do momento, né não?! Certo - mas quando se analisa os números de vendas do anos anteriores, vê-se que foi muito mais uma questão de sobrevivência do que qualquer outra coisa. A equação é tão simples que qualquer comerciante é capaz de realizar: muitos talentos + muito marketing = muito dinheiro. Não se surpreenda se algo novo surgir a partir dessa joint venture, já que há um fortíssimo rumor nos ares. Aguarde...

Eu poderia falar das pistas de skate modernas ao redor do mundo, com 70% de curvas e transições e 30% de área plana; poderia também comentar a respeito da Element, que lançou uma edição especial de longs e short boards homenageando o Greg Noll, um ícone do surfe de ondas grandes; poderia ainda apontar o fato de que, nos últimos 3 anos, a CBSk esteve envolvida em 2X mais eventos de outras modalidades do que do binômio "street e vert".... Tudo isso ilustraria ainda mais o ponto de vista, mas nem é preciso. A mudança está nas ruas, nas pistas, nas ladeiras, está aos olhos de qualquer um que queira enxergar.

Nunca antes na história do skate houve tanta exposição, tanto hype e tanto dinheiro envolvido.
Jamais as modalidades alternativas tiveram tanta presença de mercado, como rola hoje em dia.

Nunca antes uma modalidade específica dominou tanto o cenário, como é o street nos últimos 20 anos.
Jamais as modalidades de skate em ladeira tiveram tantos praticantes, eventos e presença de mídia, como agora.

Nunca antes os eventos de vertical em halfs pagaram tantas premiações atraentes ao redor do mundo, como agora - com exceção do Brasil, infelizmente.
Jamais houve um circuito de bowls de concreto ao redor do mundo com tanta divulgação e premiações tão milionárias, como no momento atual.

Nunca antes houve tantos filmes de skate, divulgando marcas, skatistas, picos e manobras.

Jamais o passado foi tão relembrado e reverenciado em filmes, pelos que têm o mínimo de respeito e consideração com a história.

Nunca antes tantas revistas focaram o mesmo modo de andar de skate.
Jamais houve tantas publicações e sites sobre modalidades de nicho, mercado e negócios.

O skate está mudando. Mude você também.

comentários

  André Viana:

É verdade Guto!

Se liga, qual é esse shape de long a direita?

Paz

05.10.2010 20:54   | Nova Iguaçu, RJ

 

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