Tio Verde

MEIO SÉCULO OU 50 ANOS
13.02.2012
Notícias - Rio
5 comentários
´A foto esta surrada pelo tempo, mas a essência continua viva! (crédito: Júlio Tio Verde - Arquivo)
Chegar aos 50 anos no dia 15 de Fevereiro nesse ano de 2012 não me assusta mais do que ter meio século de vida! Isso mesmo, meio século, metade de 100, parece muito, mas é só cinquenta, e eu sempre pensava na minha época de adolescência como seria eu com 50 anos ou meio século de vida. E hoje, ás vésperas de completar tal idade, vi que sou uma prova real de muitas mudanças no mundo, no meu dia a dia e com certeza não penso muito no futuro, por que com certeza ele vai ser implacável comigo.
Vivi a mordaça da ditadura militar dos presidentes Ernesto Geisel, do Médici e do general Figueiredo que juntos governaram e tentaram destruir o Brasil de 1969 há 1985 e da luta de caras como Chico Buarque, Francis Hime, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Paulo (meu tio), Cypriano ( meu pai), Yara (minha irmã), Paulo Negão e Afonso (esses dois, amigos particulares e fotógrafos na profissão) e muitos outros que sofreram na carne e me ensinaram e ajudaram muito para que essa mordaça nos fosse tirada, vale lembrar que alguns pagaram com sua própria vida para que todos nós hoje, pudéssemos ter (mesmo que mínima), liberdade de expressão.
Com o fim da ditadura, vivi o sonho do sexo, drogas e rock’n roll, na qual não me orgulho muito, mas passou e isso não dá pra limpar, mas peguei muitas ondas boas em picos que hoje neguinho fala que arrebenta, como a laje de Jaconé, como se fosse algo do outro mundo, Praia da Vila em Saquarema e Itaúna clássicos, sem uma viva alma e com no máximo 10 (dez) cabeças dentro da água, tempos bons.
Em 1974, vi uns malucos descendo a ladeira da Rua Tenente Costa, aqui no Méier e á noite a ladeira ficava cheia, tipo ponto de encontro de toda juventude do lado que eu moro aqui no bairro, por que pra quem não conhece, o Méier tem dois lados, e várias “cocotas” nos brindavam com seu charme e beleza.
Estive no show 1º de maio no Rio Centro, no show da bomba aonde o sargento ou tenente (de merda) do exército que detonou, era burro e (graças a deus) detonou a si mesmo, como também estive no show do Ramones no canecão que também se detonou uma bomba, aliás, em termo de shows fica difícil bater um cara da minha época, por que a quantidade de bandas excelentes era tão grande, que chega ser até uma brincadeira (de mau gosto), achar que CPM 22, NX ZERO e outras merdas que ouvimos hoje seja rock.
Estive presente nos shows do The Police (formação original), Genesis, Rick Wackmam, YES e New Oder no maracanãzinho, vi Rita Lee (no auge), Terço e Mutantes no Esporte Clube Mackenzie, aqui no Méier. Inocentes, Replicantes, Violeta de Outono, Ze da Gaita, Celso Blues Boy, Ali na Eskina, Sangue da Cidade e muitos outros no Circo Voador, além do Iron Maiden, Billy Idol, INXS, Simple Minds, UB 40, Supertramp, Bad Religion, Judas Priest, Whitesnike, Ozzy, ACDC, Queen, Megadeth, Metallica, Motorhead, Slipknot, Scorpions e outras bandas que não me vem na memória, vale lembrar que só não vi a maior banda de rock de todos os tempos, “The Who”, e “U2”, mas quem sabe? Acho que ainda dá tempo.
Só para não deixar em branco, a Música Popular Brasileira também está no meu coração, vi Chico Buarque, Pepeu Gomes, Novos Baianos, Francis Hime, João Bosco, Beto Guedes, Luís Gonzaga, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Dominguinhos, Gonzaguinha (que saudades), Elba Ramalho, Maria Bethania, Elimar Santos, Zeca Pagodinho (que eu acompanhava nos shows dentro das comunidades), Exalta e Revelação (quando estavam começando aqui da ZN) de graça, sentado na mesa de um bar qualquer, só para lembrar, alguns shows desses aí, eu vi (como se chamava na época), “Shows Comunistas”, então parceiro se te pegassem era tortura na certa!
Vi alguns amigos morrerem e outros nascerem, vi meu pai morrer e os meus filhos ( Gabi e João) nascerem, convivi e sobrevivi no limite entre a vida e morte, vi o surf nascer, renascer e ser essa potência que é hoje, vi o skate nascer, quase morrer e hoje vejo-o tentando encontrar um rumo.
Sempre quis fazer parte da Pense Skate e quando procurei fui rejeitado (na verdade não tinha um nível fotográfico considerável, isso é fato!) e hoje faço parte da equipe, aliás, é uma coisa super engraçada, todos os fotógrafos de skate, querem colocar suas fotos numa revista de skate, uns até acham que são donos dos picos, aonde você tem que perguntar se pode ou não fotografar lá, tá de brincadeira né!? Hoje sou mais desencanado e foto em revista para mim não é mais uma prioridade, já as tenho publicada, mesmo tendo tomado um cano da revista não recebendo pelo serviço, pelo menos tenho um bom trabalho registrado, mas existem fotógrafos de skate que me deram um alô quando me aventurei no mundo das fotos de skate, caras como Bruno Funil, Kiko, Lampião e Dhani Borges foram um bom alicerce para a formação do “homem” e fotógrafo que sou hoje e a Pense Skate, por abrir as portas (quase que obrigatoriamente) para começar de novo e formar um Repórter Fotográfico que se não é aquele fotógrafo pica das galáxias (que existem por ai), pelo menos quebra um galho.
Fotografei numa época na qual o porto seguro para quem era fotógrafo de skate aqui no Rio de Janeiro (ou em qualquer parte do Brasil), era ir para São Paulo e caras como Fernando Martins e Dhani Borges decidiram correr atrás de seus sonhos e eu me vi praticamente sozinho aqui nessa cidade maravilhosa, tentando cobrir os míseros eventos de skate que tinham por aqui e ainda arranjava um jeito de viajar pelo Brasil para fazer a cobertura dos eventos aonde havia skatistas cariocas competindo. Vale lembrar que eu não ganhava nenhuma ajuda de custo pelas viagens e nem pelas matérias feitas, até porque a “Pense” vinha em processo de reestruturação e o vídeomaker Marcelo Arteiro era um que me acompanhou muito, filmando e divulgando o skate, principalmente carioca sem me cobrar um real sequer de gasolina e hoje, quando vejo o Cauã, o Tiago e o Orelha fotografando skate pelas ruas do Rio de Janeiro, vejo que tudo o que eu fiz, realmente valeu a pena nesses 50 anos ou meio século de vida.
Você tentar falar em um texto de blog o que se passou em “Meio Século” da sua vida, definitivamente é muito mais difícil do que se você tentar falar no que se passou em 50 anos dela, será?
Boas sessions!
comentários

BRUNO FUNIL:
Autenticidade e uma história de vida foda!!! Só tu mermo Tiozera, esse texto é uma "aulinha" de "pare e pense" pro nosso "ramo"...parabéns desde já irmão. Amanhã to lááá...rs.
14.02.2012 10:12
| Rio de Janeiro, RJ
rita de cassia saes:
parabens pela materia !!!!continue sempre assim,na humildade e nunca esqueçendo sua raiz!!!!parabens ..
15.02.2012 00:19
| Rio de Janeiro, RJ
Tiago Ferreira:
Feliz Aniversário Tiozão, sucesso e saúde!
Continue a caminhada por que só assim chegamos onde queremos e da forma como queremos. Skate Cultura!!!
Certamente sua história está escrita pra sempre no skate carioca e brasileiro.
15.02.2012 11:00
| Rio de Janeiro, RJ
SABA:
AMO ESSE CARAAAAAA
17.02.2012 15:22
| Armação dos Búzios, RJ
Guto Jimenez:
Júlio é o meu legítimo e carismático sucessor na correria que é registrar o skate carioca. Fiz a minha parte de 1987 a 2002, e não poderia ter ninguém melhor do que ele! Amor ao skate e HISTÓRIA (com todas as maiúsculas) são o que ele tem de sobra, com todos os méritos possíveis. Parabéns, Tiozão! Simbora logo marcar o churras dos 60, 70, 80...
21.02.2012 11:01
| Rio de Janeiro, RJ




