Guto Jimenez

SEM LUZES NEM CÂMERAS – SÓ ATITUDE
07.02.2011
Skate: diversão e ação!
Um dia desses, um amigo skatista de fora do Rio me fez aquela pergunta que todo carioca já está cansado de fazer: afinal de contas, o que acontece com o cenário de skate do Rio?! Por quê o nosso estado, cuja capital atrai os olhos do mundo inteiro, não consegue sustentar um cenário saudável e constante?! Em suma, por quê as coisas são tão paradas por aqui?!
Sei muito bem que é o tipo de pergunta como aquela que questiona quem veio primeiro, se foi o ovo ou a galinha, mas com um esforço de memória e um bocado de observação dá pra sacar os motivos.
Antes de mais nada, é preciso que se diga: o Rio já foi a capital do skate no Brasil. Quando digo isso, remeto à era entre meados dos anos 70 até a metade dos 80. Naquela época, tínhamos de tudo o que podíamos almejar: os melhores skatistas, as melhores pistas públicas e a mídia. Sim, caras como Marcelo Neiva, Flávio Badenes, Jorge Luiz “Tatu” (RIP), os gêmeos Oscar e Osmar Lattuca e mais Carlos Grillo e Lúcio Flávio dominavam os cenário de vert e freestyle. Considerando que o street era uma modalidade emergente e que ladeiras eram terreno pra se divertir, e não pra competir, os cariocas eram competidores duros de serem batidos.
Falar em pistas era covardia. Tudo bem, SP tinha a Wave Park, a Franete e a Wave Cat que de fato eram bem melhores que as similares cariocas mas eram particulares; além disso, nenhuma dessas passou de 1981. No Rio, tínhamos (e ainda temos) a histórica pista de Nova Iguaçu (a 1ª da América Latina) e mais Campo Grande e Jacarepaguá. Sem falar que a mídia era toda produzida por aqui, primeiro com a legendária revista Brasil Skate, e depois com a Visual Esportivo e com os blocos de skate dentro do programa Realce.
A partir de 1985, o surgimento da Overall fez com que as atenções se voltassem pra fora do Rio, especificamente pra SP – e desde então, nosso estado foi perdendo a importância no cenário até chegar ao estado que se encontra hoje.
Os motivos são tão diversos que nem sei por onde começar.
Comecemos pelos picos pra andar de skate. Nos anos 90, tornou-se quase uma tradição a construção de pistas de skate em cada período eleitoral, ou seja, a cada 2 anos. Foi assim que surgiram locais como Arpex, Rio Sul, Lagoa e praticamente todas as street parks que temos ao redor do estado, com a ilustre exceção do galpão em Volta Redonda. Por mais que reclamemos de um ou outro pico, o principal problema ainda é o de falta de renovação de projetos, como se estivéssemos presos pra sempre em 1991 e não fosse possível de construir nada além de street parks sem curvas ou poucas transições. De um jeito ou de outro, há locais pra andar de skate, portanto essa nem seria a maior carência.
Ora, se temos picos, temos skatistas. Não foi por falta de gente boa sobre um carrinho que o skate do Rio deixou de ter o seu lugar de destaque; de 25 anos pra cá, foram tantos & tantos nomes que a lista é extensa e vai literalmente de A a Z. De Allan Mesquita ao Zunga, passando por Alessandro Ramos, Bruno Passos, Diego Marques, Douglas Ugry Emanoel Enxaqueca, Felipe Vilhena, João Kabeção, Júlio Feio, Leandro Macaé, Marcelo Gouveia e Maurício Nava, entre tantos outros que levaram o Rio nas suas carreiras de pros. Alto nível também em incontáveis amadores como Ademar Luquinhas, Guilherme Neto Humberto Zero, Igor Rodrigues, Léo Lopes, Lucas Cofrinho, Nicolas Grilo, Pedro Orelha, Rafael Índio, Yuri Moreira e Bruno Nobru – esse último, a maior revelação nacional dos cenários de speed e slalom em muitos anos, com apenas 18 anos. Entre as meninas, um contigente cada vez maior de garotas vêm detonando no carrinho onde quer que passem, da incrível amadora Bia Sodré à veterana Mary Jane – as minas do Rio representam forte onde quer que escolham dar os seus rolés.
Seguindo a analogia, se temos skatistas então temos atividade. Desde a S.U.A.T. (Skatistas Unidos Anarquia Total) de 1984, os skatistas daqui não ficam esperando de braços cruzados pra que as coisas caiam do céu, muito pelo contrário. A busca pela ativação do cenário motivou iniciativas como a A.S.R. (Associaçào de Skate do Rio), a Faserj ou a recém criada USR (União dos Skatistas do Rio), sem falar de outras iniciativas não-oficiais como as várias crews que se formaram nesses anos e o Clube de Skate de Ladeira do Rio de Janeiro. Bem ou mal, cada um desses grupos teve e tem a sua participação em quase todos os atos que tenham a ver com o skate no nosso estado, de uma maneira ou de outra.
Mídia?! Não é por aí. Já tivemos revistas locais (Na Base, Skate & Bordas, Rio Skate), cujos objetivos e tempos de existência variaram de acordo com seus projetos. Nos dias de hoje, sites como o da PENSE SKATE divulgam e batalham por um cenário cada vez mais fortalecido e diversificado, do jeito que o skate carioca e fluminense sempre o foram. Sem exageros ou babação, é quase um mix de heroismo e loucura o que os responsáveis pela mídia local são obrigados a fazer pra fornecer o máximo de informação de qualidade com um mínimo de apoio local.
Da mesma forma, não é por falta de mercado que o skate do Rio está do jeito que anda. OK, quase não temos marcas locais de destaque nacional, mas a quantidade de gente envolvida com o mercado de skate mais do que dobrou nos últimos 10 anos. Lojas de skate, representantes, pequenas marcas, fotógrafos, artistas gráficos – temos tudo por aqui, alguns menos do que o desejado é verdade mas não há uma carência total como existe noutros estados do país.
Bem, aparentemente temos tudo, né não?! Então como podemos estar tão atrás em termos de cenário?! A resposta é uma só: falta atitude, de uma maneira generalizada. Nos mais diversos níveis, dos mais variados estilos e das formas mais distintas – ou a atitude é inadequada ou então é insuficiente. No próximo post, eu esclareço o que quero dizer com isso, e você também pode participar fazendo o seu comentário e dando a sua opinião ali embaixo, ok?! Como dizem as operadoras de telemarketing, a sua opinião é muito importante para nós!
comentários

Artur Kjá:
Cara, nem sei se é falta de atitude... pelo menos, como vc mesmo citou, os skaters tem agido... fomentando mídia, participando do q aparece, como a Copa Rio... o que eu sinto falta é de INVESTIMENTO.. transformar o skate carioca em BUSINESS... como é em SP. PQ MERCADO É BUSINESS.
Agora, como conseguir trazer investimento? Como mostrar ao Brasil que o Sk8 Carioca é uma excelente fonte de ECONOMIA CRIATIVA?
Bom, não sei responder, mas faço a minha parte... articulo ações (como foi com o NES SUMMER), fomento o pensamento skateboard em quem pode nos ajudar (como faço junto à políticos)... enfim, acho que atitude tem, o que falta é PLANEJAMENTO para captarmos mais INVESTIMENTO.
Citando uma propaganda, VAMOS PENSAR JUNTOS?
08.02.2011 17:30
| Rio de Janeiro, RJ
edson:
eu costumo falar "o que é f*d@ no rio é a pedra portuguesa" não sei bem mais acho que falta atitude e sobra esquecimento e preconceito a pista onde eu ando é a do aterro do flamengo que ja tem 10 anos e tem mais boracos do que manobras pra mandar
08.02.2011 17:56
| Rio de Janeiro, RJ
maurIcio nAVA:
Concordo com vc, falta é atitude mesmo, tipo o skate carioca tem tudo pra ser melhor do que ja foi inclusive, acho que falta atitudes dos skatistas mesmo, posso dizer que se todos realmente quiserem, colocar isso com objetivo, mesmo, podem conseguir a tão sonhada reforma da pista q andam, vejo muito nego falando merda no facebook, ao inves disso, porra sai da cadeira e vai atrás dos caras, se não conseguir, pelo menos faz vaquinha, vai construir uns obstaculos, igual os caras fizerma na praça do O. E eu acho que o skate no rio esta muito melhor do que há tres, quatro anos atrás, lembro que so tinha um ou dois champzinho por ano, kerendo ou não, ja tem um circuito bacana, valendo moto inclusive, champ valendo moto, os skaters tb teem que aproveitar o incentivo daqui e aproveitar pra mostrar seu skate em outros cantos do brasil, e assim serem considerados tambem. as marcas de fora do estado já esta acreditando mais, apoiando mais e aos poucos vamos melhorando cada vez mais. Não sei como esta no spedd ou downhill, so sei que ouvi hj de um dos meu patrocinios que o melhor business pra ele que vende peças é LONG, mas se ta bom assim do jeito que ele ta falando, tomara que o investimento voltem pros verdadeiros skaters q se matam na ladeira, e assim isso deve explicar a quantidade de novos pros nestas categorias. era disso, abraço peace
19.02.2011 02:52
René Junior:
Então , concordo em boa parte com oque disse Guto.
Falta atitude , GO FOR IT.
Eu vim de uma epoca pouco antes do BOOM das pistas , então na minha epoca ou você se juntava com a rapaziada pra construir uns obstaculos ou fazia abaixo assinado e batia ponto com POLITICOS em vespera de eleições pra arrumar alguma coisa , e assim alguma coisa foi sendo feita ... o RIO DE JANEIRO como tudo nos ultimos anos teve o DON de se auto-deteriorar , acho que o skate faz parte disso , um movimento natural das massa. Outro grande problema no RIO e o skate esta intimamente ligado ao SURF. SURF e o caralho ... surfista não fica fritando num sol de 40° pensando numa manobra que tem que acertar , ou numa ladeira pra descer ... apesar de parecidos são praticas totalmente distinta , e acho que esta ligação mt forte por aqui so estraga. Muitas pessoas ganhando $ com skate e pouco retorno pro mercado ... sinceramente , eles não estão "errado" , pois os mulekes continuam comprando nestas mesmas lojas e não se movimentam pra cobrar da mesma o retorno de $ pro mercado.
Acho que a "MIDIA" tem um papel fundamental nesta parte. Que e mostrar pra galera quem está fazendo "certo" , neste mundo errado por si só. Acho que a estruturação de uma midia especializada e fundamental , GERAR CONTEUDO , somos "A CAPITAL" do Brasil. Temos uma cena cultural muito rica e diversa , me revolta não ter uma revista que mostre isso e canalize novas ideias pra cena.
Revolta grande tambem vem da parte de CIMA (confederação)...os caras tambem so querrem saber de fazer escolinhas de skate e ficar catequizando novos skatistas ... acho isso errado. FEDERAÇÃO não tem que se preocupar com escolinha e sim com a base e estruturação da sua cena.(pistas etc)
E se vai fazer escolinha de skate , leva os mulekes pra descer ladeira , bota pra pular uma escadinha e por ai vai. Agora NUNCA vamos ter bons skatistas sendo formados em "escolinhas" ... SKATE E RUA ... essencia do gheto.
Falei pra caralho e me embolei...r
22.02.2011 08:00
| Rio de Janeiro, RJ
Tiago Cambará:
Temos picos e skatistas, com certeza. O resto, eu já duvido.
Falta atitude sim, em diversos aspectos, como vc mesmo disse, Guto (tanto é que você escreverá outro texto só para falar disso). Mas, se falta atitude em diversos aspectos, pode ter certeza que inclui-se aí as associações, federações etc. Logo, não temos tanta atividade assim.
Também não temos tanta mídia. Temos alguns sites, o meu inclusive, mas não é suficiente. Por que as revistas acabaram? Por que a Pense se transformou em um site?
A resposta para essas perguntas nos leva a outro velho problema: praticamente não temos gente investindo no skate daqui. As raras marcas do Rio são muito pequenas, e as marcas grandes de outros estados ou não chegam até aqui ou investem muito pouco. As lojas são um episódio a parte, todo mundo ja tá careca de saber.
Agora, por que tudo isso? Realmente não sei. Talvez a origem disso tudo esteja na falta de atitude, mas eu acredito que a melhor atitude que nós podemos tomar é andar mais e falar (e reclamar e chorar...) menos. Com todo mundo andando direto, pode ser que as coisas aconteçam naturalmente.
Grande abraço!
Ti
15.03.2011 19:10
| Rio de Janeiro, RJ
Jarbas Bozzo:
Realmente, uma atitude correta e eficiente se faz necessário, as instituições em prol do skate se fazem necessárias mesmo que a grande mídia dificulte teremos que lutar para conquistar nosso local, sou de são cristóvão e lá agora que foi ter uma pista depois de anos lutando mas ainda temos muito que melhorar, sem que vai acontecer, tenho esperança. Muito bom o post. Vou ler a parte 2 agora. Abraço
08.04.2011 14:19
| Rio de Janeiro, RJ




