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Guto Jimenez

Guto Jimenez

UMA NOVA VISÃO: Longboard, mercado, skate old school e sem modinhas

SEM LUZES NEM CÂMERAS – SÓ ATITUDE (2)

06.04.2011

comentários 3 comentários

Diversão na essência! (crédito : Dogtown and z boys)

Diversão na essência!  (crédito: Dogtown and z boys)

No post anterior, vimos como o cenário de skate no estado do Rio é muito mais privilegiado do que se possa imaginar numa análise superficial. Temos skatistas, picos pra andar, mídia e um cenário que se agita cada vez mais. Mesmo assim, temos poucos eventos de destaque, pouca representatividade em termos de mercado e, portanto, pouca divulgação na mídia especializada.

A pergunta que não cala é: de quem é a culpa?! Quem me dera que a resposta fosse tão simples quanto apontar o dedo pra quem quer que seja... Melhor do que isso, vamos analisar ponto a ponto os fatores que fazem do skate fluminense estar no estado de atraso que se encontra, e o que precisa feito pra mudar essa perspectiva pra melhor.

- PISTAS & PICOS – De que adianta termos pistas construídas todos os anos se a grande maioria é ultrapassada?! Na boa: 1991 foi há 20 anos. Não faz o menor sentido em se construir street parks sem curvas nem transições em pleno 2011, tenha a desculpa que tiver. E por favor, não me venham com o argumento de que “quem paga tem orçamento apertado e tem a preferência pelo mais barato”, até porque isso é tão óbvio quanto mentiroso. O Frewka (da Flyramp) me falou que o tri-banks de Itaguaí custou “bem menos” do que custaria uma área de street na mesma área, o que joga por terra a desculpinha de teor econômico. O que falta mesmo é vontade de se fazer, falta é coragem pra apresentarem projetos decentes, com uma maior diversidade de terrenos e de acordo com os padrões dos últimos 10 anos (70% de transição pra 30% de obstáculos).
Da mesma forma, é preciso saber direcionar os esforços no sentido de se liberarem ou pelo menos tolerarem a prática do skate em espaços públicos. Falando a real, é ou não um absurdo a repressão ao skate na Praça XV?! Todos concordamos que sim; protestos já foram feitos e inúmeros projetos já foram apresentados, sem o menor resultado aparente. Aí eu pergunto, como é que os praticantes de downhill conseguiram a tolerância da prática nas Paineiras?! E olha que o pico também fora vetado, após a esposa de um político ter sido atropelada e ter parado no hospital. Eu mesmo respondo como é que pode: foram atrás das pessoas certas, assumiram compromissos de boa convivência e conseguiram até que uma placa fosse instalada no pico, alertando pro uso de material de segurança pelos skatistas. É assim que se faz, buscando as esferas superiores certas pra evitar problemas com guardas e policiais.

- MÍDIA – Desde quando um blog pessoal cujo autor fala de si próprio na 3ª pessoa adquire o status de “veículo especializado”?! E quando é que um site pessoal ou de marca, que naturalmente só fale sobre si mesmo, seus corres e os skatistas da casa, pode ser considerado como o ”porta-voz do skate” de onde quer que seja?! Talvez eu esteja enganado, afinal o tempo passa tão rápido e eu estou nesse ramo só desde 1984... A galera que está começando agora, ou quem busca o seu espaço trabalhando na mídia, precisa se tocar de uma coisa de uma vez por todas: o mundo é muito maior do que o seu próprio umbigo. Ego inflado e a falta de reconhecimento do que a pessoa representa no cenário são os piores defeitos de quem assume a atividade jornalistica, abaixo apenas do pecado mortal de se divulgar uma notícia sem se conferir a veracidade da mesma. Tem tanta gente “se achando” jornalista, fotógrafo ou videomaker que chega a ser ridículo; não é porque não é preciso mais diploma de jornalista pra exercer a profissão que qualquer um que porte uma câmera, filmadora ou gravador possa ser entitulado de “jornalista”. Já esculachei um prego que queria disputar posição comigo numa área de evento pra tirar fotos de... celular! Realmente, tem gente que não sabe a falta que a falta de noção faz... Quem tem um site pessoal, que não divulga a cena local e não incentiva a prática do skate, então recolha-se à sua insignificância e vá assistir ao evento junto ao público e fora da área reservada à imprensa, e por favor não encha o saco dos profissionais.

- MERCADO – Em 10 anos, o números de skate shops, pequenas marcas e representantes no cenário do RJ quase que triplicou – no entanto, tudo encontra-se muito parecido como o era antes. O que mais se vê por aí são lojas que não dão retorno ao cenário de skate de forma alguma, muito pelo contrário; só querem lucrar e nada mais. Não patrocinam nem apóiam skatistas, eventos ou nada que possa incentivar a cena, e alguns acham até que estão fazendo um grande favor ao oferecer produtos pra serem consumidos. Sem exagero algum, ouvi da boca de um dono de lojas: “se os skatistas soubessem a loucura que é negociar com fornecedores e representantes, seriam mais agradecidos a lojistas como eu”. Cuma?! O cara faz o trabalho dele, não dá retorno algum ao cenário e ainda espera ganhar uma medalha de honra ao mérito?! Fala sério! Os consumidores (= skatistas) deveriam gastar seu dinheiro somente em locais que dessem retorno ao mercado, e deixar os sanguessugas de lado de uma vez por todas.
Algumas marcas locais também têm uma imensa parcela de responsabilidade no atual estado das coisas do skate fluminense. Como é que, em pleno século XXI, ainda tem gente que deixa material em lojas em consignação?! Ah, sei, não emitem nota fiscal e nem fatura porque “é bom pra todo mundo”... “Todo mundo”quem, cara pálida?! “Todo mundo” que quer sonegar impostos e viver à margem da legalidade, isso sim. Portanto, as marcas locais precisam urgentemente a adotar posturas verdadeiramente comerciais e parar de tratar seus próprios produtos como sobras de bazar de quermesse de igreja. Se o próprio dono da marca não valorizar a sua marca, não espere que lojista algum o faça, simples assim.

- ENTIDADES – SUAT, ASR, AFS, FASERJ, USR... Uma verdadeira sopa de letrinhas de entidades que estão ou estiveram representando os interesses do skate em nosso estado. Nos anos 90, a ASR realizou por anos circuitos amadores (muitos deles na MHS) que revelaram talentos que hoje detonam no cenário profissional brasileiro e mundial; somente nos últimos 2 anos é que outros circuitos foram disputados do início ao fim. No meio tempo, eventos que não tinham hora pra começar nem terminar, muita confusão e autopromoção e poucos resultados práticos. Como se não bastasse, o Rio é a cidade onde se disputa a etapa de circuito mundial que paga a menor premiação em todo o planeta! Isso seria impensável noutros tempos, em que os eventos tinham hora pra começar e terminar, e cujos protagonistas eram tratados como os donos do espetáculo – e não como meros coadjuvantes disputando trocados do orçamento total do evento..
Muito embora sejam os eventos que trazem visibilidade ao cenário, as entidades de classe não existem somente pra realizar essas disputas. Entidades também precisam organizar escolinhas em pistas de skate, realizar clínicas em escolas públicas, criar meios pra participação em grandes eventos populares (como a Feira da Providência, por exemplo) – enfim, fomentar o skate. Isso não é uma utopia: já tivemos tudo isso ao mesmo tempo há uns 15 anos, quando o skate brazuca ainda buscava o seu espaço no cenário internacional. Hoje em dia, somos o 2º maior cenário de skate e temos o 2º maior mercado do mundo – e nem parece, olhando do lado de cá. Menos palavras e mais ação, isso é o que o skate do RJ precisa. Ainda bem que há novas e realistas perspectivas no ar pra realização não só de eventos amadores, mas também de disputas pros de diversas modalidades e de fomentar o cenário local como já o foi um dia.

- SKATISTAS – Você realmente pensou que não iria sobrar pro “lado de cá” dessa história toda?! Não é novidade alguma que os habitantes desse estado são dos que mais sabem reinvidicar os seus direitos, isso está historicamente comprovado nas inúmeras manifestações de fundo político que já ocorreram nessas terras. Só que, no meio do skate, essa característica nossa é distorcida: há uma maldita mania de se detonar até mesmo quem faz ou procura fazer a coisa certa. Isso de se procurar defeitos nas iniciativas alheias como quem procura cabelo numa casca de ovo tem um nome pra mim: recalque. Nada além ou aquém disso; junte-se a inveja por quem faz alguma coisa com a consciência de que não se tem a mesma capacidade, e pronto: eis mais um boçal que só sabe detonar. Se não ajuda, então não atrapalha.
Outra coisa: desde que o skate brazuca passou a possibilitar que ser um “skatista profissional” que o cenário mudou radicalmente; a impressão que dá é que quase nenhum skatista de destaque nos dias de hoje sai pra andar de skate simplesmente pra se divertir. Se não houver um fotógrafo ou videomaker, então não tem sessão... Quando a divulgaçào pessoal torna-se mais importante do que o estilo ou as manobras que um skatista faz, então é porque alguma coisa está muito errada nisso tudo. Isso não é um fator somente em nosso estado, claro, mas esse maldito hype é o que mais faz mal à essência do skate como nós a conhecemos.

Ande de skate pra se divertir, dedique-se a ele com paixão e todo o resto acontecerá naturalmente. Tudo o que houver depois é consequência, jamais um objetivo. Faça a sua parte - e o skate saberá te recompensar como nada na vida o faz.

comentários

  Jarbas Bozzo:

Ficou muito boa a 2ª parte e realmente o que vemos é complicado mesmo temos que mudar toda essa atitude, as associações ajudam também, ajudei a formar uma em são cristóvão mas que por forças alheias a sua vontade se desfez e mesmo assim conseguimos mudar em partes a impressão do skate em são cristóvão por um tempo. Quanto as lojas está cada vez mais difícil pois os preços estão aumentando cada vez mais, sou totalmente contra esse lance de sonegação também afinal quem faz isso dá um tiro no pé pois, não valoriza nem seu país. A mídia que surge vem enfraquecida pelo ego do cara que tirou uma foto boa na vida e se acha fotógrafo, ou videomaker. Ando de skate por amor, prefiro muito mais ensinar uma criança(como já ensinei muitas que hoje em dia cresceram e andam comigo) do que me preocupar se vou sair bem na foto, isso vale de cada um mais por favor faça algo pelo skate em primeiro lugar antes de olhar pro umbigo. Parabéns pelo post mais uma vez. Abraço

08.04.2011 14:56   | Rio de Janeiro, RJ

  Tiago Cambará:

"Esse maldito hype é o que mais faz mal à essência do skate como nós a conhecemos".
Issaê.

12.04.2011 16:31   | Rio de Janeiro, RJ

  René Junior:

Da hora esta 2° parte , concordo total.

E o mais dificil nisso tudo é: que não existem mentiras nem verdades. Pois cada um tem seu ponto de vista e o principal e sempre haver um entendimento cordial entre ambas as partes.

Posso falar apenas por mim e pela ramo que faço dentro da parte do skate.
Sobre este lance ai de so sair qnd tiver fotografo não e bem assim não , pode ate parecer ser assim pra quem esta de fora , mais eu que to vivendo a parada sei muito bem que não e bem assim. As fotos boas que faço e acontecem numa sessão sempre são frutos de tudo isso ai que vc falou no final: Diversão e paixão ... mais ai entra outro fator no meio disso tudo. FOCO e EVOLUÇÃO. Ter um videomaker ou fotografo numa sessão seja ela qual for: street , vert ou hills ... o nivel sobe porque o prazer de se ver registrado aumenta. La na gringa ainda mais hoje com a tecnologia barata e acessivel , so se sair pra uma sessão com filmadora. Isso e uma tendencia e graça a deus , pois qnts sessão vc msm ja não fez memoraveis que poderiam estar registradas em video?

E outra parada: uma coisa que mudou de antigamente pra cá e a INTERNET , antigamente marca ou pessoa fisica não podia se posicionar diretamente com seu publico ... hoje em dia qualquer uma pode fazer isso, graça a deus. Oque temos que fazer e julgar o conteudo , se e relevante vamos ler(que nem este post aqui) se não passa batida. E assim vai indo, nem sempre e a marca que prevalece(PENSE SKATE) e sim o conteudo inserido nela.(seu post) ...

acho q e assim que vai funcionando.
Diversão e Paixão não ta faltando ... agora companheirismo na sessão pra fazer a coisa virar e que falta.

Bom post.
e noix

29.04.2011 00:18   | RJ

 

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